sexta-feira, 26 de março de 2021

Aquele surgir de blog

 


Estar no momento certo, à hora certa. Achar o norte. Saber que direcção tomar. Ter a coragem de arriscar. Apresentar uma ideia, um plano, a motivação e a energia que nascem da força de acreditar. Sair da zona de conforto, pensar fora da caixa, deixar de lado o «porquê?» e passar a pensar em «porque não?», alinhar sonhos, definir objectivos. Ninguém precisa de certezas estáticas. O que precisamos é de aprender uma nova fórmula. Aquela com que nos reinventamos.

Texto: Cátia
Ilustração: Samuel 

 

sábado, 20 de março de 2021

Até quando insistir?

 


Não foram poucas as vezes em que encarei essa pergunta. Não foram poucas também as vezes em que encontrei respostas. Mas, ainda assim, nós sempre parecemos ter uma estranha tendência à tortura. Uma estranha vontade de irmos bem além do que deveríamos. Então, estou mais uma vez aqui. Na eterna busca por uma resposta definitiva. Até agora, encontrei essa: não desistas de ti para insistir em alguém. Parece simples? Bem, não é. É uma árdua filosofia de vida. Afinal, quantas vezes não nos calamos? Não nos deixamos roubar? Ou nos moldamos até pontos quase irreconhecíveis? Essa é então a minha mais recente epifania. "Não desistas de ti."Clichê? Talvez. Ainda assim, responde-me com sinceridade. Quantas vezes tu não desististe de ti para insistires em alguém que já não estava para aí virado?


Texto: Cátia 
Foto: Daniela

terça-feira, 16 de março de 2021

Filosofia botânica para matarruanos


 




    Gosto de árvores, em especial das que não são minhas e particularmente das que não são de ninguém. Gosto de árvores silvestres, delas não espero nada. Podem produzir frutos pequenos ou ácidos, podem ser mesmo intragáveis ao meu paladar e servirem apenas para as famintas aves se alimentarem. Podem até ter espinhos nos ramos, como o limoeiro bravo, e não permitirem sequer que eu me encoste a elas. É por tudo isto que gosto delas, só por serem. Já as árvores do pomar, estão sujeitas a inúmeras exigências. Têm de produzir frutos doces, grandes e em abundância e quando elas produzem mais do que o dono consegue colher, ele trata de colocar junto delas um sósia de colmo para invejosamente evitar que as aves se alimentem do frutos destas. E caso as árvores não correspondam as expectativas, rapidamente ocorre ao agricultor a ideia de as enxertar, de forma que destas só reste a raíz que se vê forçada a alimentar uma copa que não é a sua a produzir frutos que não são os seus. Uma árvore enxertada não vai viver muitos anos. Nada vive muito tempo a ser o que não é. Já a árvore brava pode até não ser grande coisa, mas vive por séculos.

Texto: Samuel 
Foto: Daniela

terça-feira, 9 de março de 2021

Bússola da vida


 

Eu sei que, às vezes, a vida não parece ser justa. Nas curvas e contracurvas repentinas, trava de repente e, num repente, tudo cai para fora do lugar. Eu sei que nem sempre a vida nos trata bem. Por vezes, dá-nos uns valentes puxões de orelhas, tira-nos o nosso chão, faz-nos repensar tudo, questionar tudo e obriga-nos a recomeçar.

Eu sei que, às vezes, somos forçados a despedidas que não queríamos, a dizer adeus para sempre e a acreditar, ainda assim, que não havia outra alternativa. Eu sei que, às vezes, sentimo-nos demasiado cansados para lutar, demasiado fracos para levantar os braços e continuar a tentar. Mas, às vezes, é preciso que o sol se vá para mudarmos a perspetiva, é preciso que tudo fique desordenado para voltar a encaixar as peças, é preciso baralhar e voltar a dar.

Há um novo jogo, um novo dia, uma nova oportunidade. E tudo o que nos acontece tem uma razão. Todos os obstáculos servem para nos tornar mais fortes, mais resilientes, mais pacientes. Todos os nãos da vida servem para nos mostrar que o amor é a resposta para tudo. E que os desvios que somos obrigados a fazer são, afinal, o caminho certo. E ... uma coisa é certa apesar de tanta curva, tantas noites escuras, jamais te esqueças que “se tens uma bússola que se chama de bom-coração, não a percas” é isso que te torna mais genuíno é brilhante !


Texto: Cátia
Ilustração: Samuel

quarta-feira, 3 de março de 2021

Onde é o meu lugar?

Nem sempre somos capazes de encontrar o lugar que nos pertence. Nem sempre sabemos se o lugar que nos está destinado ao coração pode, na verdade, existir. Gostamos de acreditar que estará para chegar o dia em que nos sentiremos encaixados, pertencentes e enraizados. Para alguns, o lugar que lhes pertence pode estar guardado dentro da alma de outra pessoa qualquer. Para outros, o lugar que lhes enche as medidas tem uma geografia específica e pertence a uma qualquer terra com nome de país. Para alguns, o lugar que procuram está na forma como vão decidir viver cada dia. Ou tem a pele por viver de uma aventura por estrear. Para outros, o lugar que nos fará ser moradas andantes…não existe. Talvez o importante seja que cada um se dedique a encontrar o seu lugar. Aquele que tudo muda e que tudo sossega. Aquele lugar que nasceu para ser habitado e querido por nós. Haverá lugares que cheguem para cada um?! Haverá tempo suficiente para os encontrar?! A resposta é bonita e é pequena: sim. O problema é que o nosso coração é feito de pressas e batidas velozes. Não bate como quem espera. Bate como quem quer tudo de uma vez. O mais rapidamente possível. E é assim que, apressados pelo nosso lado esquerdo, nos deixamos apaixonar pelos lugares errados. É assim que nos enganamos no lugar de chegada. Preferimos um lugar qualquer à espera demorada do lugar que será nosso e para nós. Contentamo-nos com o que aparecer. Esquecemo-nos do que disseram os poetas e outros sábios: o melhor está sempre para vir. Somos tempestades ambulantes que teimam em rasgar os céus de calmaria que a vida tem para oferecer. Somos feras de dentes aguçados que teimam em não permitir que a vida aconteça. Valerá a pena continuar à procura de um lugar que esteja à nossa espera?! Vale. Mas vale mais a pena entender que a aventura de não saber o que virá depois, compensa. O mistério compensa e faz-nos crescer. O que seria de nós se já soubéssemos o que vem a seguir?! Que esperanças nos fariam avançar se os nossos olhos já tivessem visto tudo?!

O nosso lugar na vida e no mundo está disponível apenas para ser descoberto. Não para ser adivinhado. Se ousarmos embarcar na aventura de deixar tudo para o alcançar, havemos de encontrar mais do que alguma vez tivemos. Quem semeia aventuras, colhe esperanças. Quem semeia passos, colhe caminhos. Quem semeia cores, colhe paisagens. Quem semeia a paz, colhe céus azuis para o teto do coração.

O teu lugar é teu. Vai buscá-lo. Quando lá chegares, terá valido TUDO a pena.


Texto - Cátia Reis
Ilustração - Samuel Batista
Voz e edição - Daniela Alves
Música - Alma Mater de Rodrigo Leão